sábado, 5 de fevereiro de 2011

A Bela do Baile (conto - terror)




Marina estava radiante, dali a algumas horas seria o momento mais feliz de sua vida, faria 15 anos. Já se sentia com aquela idade, mas à noite seria seu baile de debutante, quando todos a reconheceriam daquela forma. Além de ter prometido a Ben, que a pós-festa seria dedicado a ele exclusivamente. Planejara tudo com perfeição. Seus pais tinham uma viagem programada e ela ficaria apenas com os empregados da mansão, que pouco ligavam para o quê realmente ela fazia.

Usava uma de suas finas e delicadas camisolas de algodão cor de marfim. Lavou o rosto, escovou os dentes, olhou-se no espelho demoradamente, vislumbrando cada nova marca possível na face. Nada encontrou. A pele alva continuava a mesma. Podia se considerar uma das garotas mais sortudas do mundo, as espinhas passavam longe dali. Suspirou de alívio. Escovou as madeixas ruivas. Não aguentou, agarrou o roupão, vestiu-o a caminho do corredor.


Sentiu como se flutuasse ao percorrer a ala sul. Debruçou-se na grade antes de chegar à escada, esticou-se com a cabeça para o alto. Deliciou-se ao ouvir o som de talheres de prata, da louça requintada, das rodas dos carrinhos, levando para lá e para cá os enfeites, os laços lilases e brancos. Em sua mente podia imaginar tudo acontecendo lá embaixo, no salão de festas. A correria, a pesar de ser tão cedo ainda, dos funcionários do buffet. Respirou profundamente.

- Menina, o que está fazendo? E vestida assim? Deixa sua mãe ver isso...

- Ah, Jose! Primeiro, não sou mais menina e segundo, mamãe ainda deve estar em seu vigésimo sonho sobre como se tornar uma socialite de prestígio.

- Primeiro, sua mãe é uma socialite de prestígio

- Então vai dizer isso a ela. – Douglas interrompeu a criada.

- Papai! – Marina correu para os braços dele, aconchegando sua bochecha no peito largo e alto.

- Ah, senhor, perdoe-me. – reclinou a criada.

- Imagina, Josefa, não foi nenhuma falta grave, foi querida? – abaixou o queixo para ver a filha entre seus braços.

- Claro que não. – sua voz saiu abafada pela camisa de linho do pai.

- Agora vá se arrumar, Josefa está certa. Já é hora. Ou quer se atrasar feito uma noiva?

-Ui, detesto noivas que se atrasam... – riu.

Marina e Jose seguiram para seu quarto no segundo andar. A debutante retirou o roupão, largando-o no chão, onde ficou por breves segundos até Jose o resgatar. A garota viu o aviso de recados na secretária eletrônica piscando insistentemente e apertou-o.

- Com certeza é de Ben, aquele metido a gostoso ansioso. – soltou uns risinhos imaginando a noite que teriam.

- Ele gosta mesmo da senhorita, não é? – indagou Josefa, alisando o roupão já pendurado no cabide.

- Ele é doido por mim. Não o culpo. – gargalhou enquanto se jogava sobre a cama e agarrava seu travesseiro preferido, um dos presentes de Ben há dois anos.

Realmente os dois primeiros recados eram do namorado, mas sem revelar os planos de ambos para o pós-festa. Um misto de ansiedade e prazer mesclava a voz angelical, substituída pela grave e potente voz do terceiro recado, que lhe causou arrepios na espinha.

“Essa noite você será minha”






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-----;)-------------------- Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.

12 comentários:

Vanessa disse...

Adorei esse conto!!!!

Gisele Galindo ou simplesmente Gi. disse...

Ai, que bom!!!!!
;)
Mt obrigada.
bjs***

deiare disse...

Eu tbm adorei...
Que final é esse...quase tive um troço...rsrsrs...
Bjos!!!

Gisele Galindo ou simplesmente Gi. disse...

Andréiaaaaaaa, fico mt feliz q tenha gostado tb ;)
Pois é, p final saiu assim e eu falei p mim msm (sim, falo mt sozinha, rs) vai assim msm. tá bom. e finalizei.
kkkkk
;)
bjão***

Renatinha disse...

Nossaaaa
Ficou ainda mais interessante o completo. Dá um medinho mesmo..
Mas..só elogios pra sua criatividade excessiva.
Muito bom!
bjs

Lyra Skanderfiel disse...

Adorei demais o conto. Achei a estrutura perfeita, o contexto divino e na narração mais que perfeita. Sabes que adoro você, e não falo isso só por que gosto de você, mas sim por que você é uma ÓTIMA escritora. Amei demais mesmo, não tenho palavras para descrever esse final.

Sucesso, fofa *-*
Lucas Borges!

Gisele Galindo ou simplesmente Gi. disse...

Rê, mt obrigada, linda!!!!!
deu medinho??? rs
;)
bjs***

Gisele Galindo ou simplesmente Gi. disse...

Lucas, amore, brigadão!!!
Fico feliz q tenha gostado e os elogios... tantos assim... fico até sem graça, hehe.
;)
superbjo***

Raphaela disse...

hehehehe
Adorei o conto GI!!
Só nao esperava por esse final! suhausa

Beeijo

Gisele Galindo ou simplesmente Gi. disse...

Oi Rapha!
Pois é, o final acabou se tornando o elemento surpresa do conto, rs.
Obrigada.
;)
bjs***

Camila Lemos disse...

AI MEU DEUS! Que conto é esse??
Gi, eu NUNCA estive tão envolvida com um conto antes
Estou arrependida por não ter lido a vários dias atrás
É simplesmente SENSACIONAL!!
No começo eu realmente achava que ia ser um conto de romance, uma história bonitinha da menina de quinze anos e seu novo e misterioso par, mas quando chegou a parte da Marina e do William na varanda eu fiquei surpreendida!! Eu não estava esperando por isso!
Murmurei alguns ‘ahh’ e prendi a respiração algumas vezes... A descrição final foi muito, muito, muito boa! “Via o rastro do próprio sangue a sua frente.” UAU. Excelente!!
Do meio do conto para o fim eu li tão rápido que só quando terminei percebi que estava com a mão na boca e olhos arregalados
E ESSE FINAL?? Minhas reações quando leio termino de ler algo sempre me dizem o que eu achei. Quando eu li a ultima frase eu falei um palavrão e depois sorri “O animal lamentou profundamente. Abriu sua bocarra e abocanhou o pescoço da debutante.” Eu bati palmas, sério! Meeu, o seu conto é deslumbrante!
Vou até mandar minha mãe ler ele! Vou aproveitar que ela está aqui do meu lado...Quero ver o que ela vai falar!!

Gisele Galindo ou simplesmente Gi. disse...

Nossa, Camila, muito obrigada!!!
Vc demorou um pouquinho, mas qd veio... Veio com tudo!
Fico mais do q feliz com esse seu comentário \o/
;)
bjs***